quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Par de Olhos

Há um par de olhos
Me observando da janela 
São olhos claros 
Lembro-me deles piscando 
Era tarde de Sexta-Feira 
Ainda persistiam e ficavam 
Junto deles o suspiro 
O último que presenciei 
Aquele em que me fez sorrir 
E talvez dizer adeus ali
Alçou voo 
Se despediu e partiu 
Algo em mim quebrou 
Viver sem ver teus olhos claros
É punição, arder e dor
Mas essa noite os vi 
Por trás da janela
Vivos e tão claros quanto antes 
Sorriam e diziam:
São teus quando precisar
Peça, chame e eu irei voltar. 

Só Sol

Bem-Te-Vi fala
Sabiá canta
Eu choro e a prece suplica

Faço da tragédia meu circo 
E indago 
Ria, sorria, gargalhe 
Corria e assim veloz ficava 
Pegue o impulso 
Esqueça o avulso 
Deixe pra trás o que de trás é
Passado, criança, passado 
Voltar e retroceder, pra quê?
O que ontem foi, nunca mais será 

Virou poeira, ficou por lá 
Desabroche, meu bem
Em pétalas e raios de sol 
Fique sol 
Seja sol
E queira só 
Só reza, só paz, só... Só!

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Atos, Fatos e Relatos

Estive pensando 
No ato de fugir
Fato de querer 
Relato falso 
Soando mentiras patéticas
Machucando o coração
Estive pensando
Naquela canção
Aquela que escolhi pra ti
Te recordar e amar no silêncio 
Soando tristeza e saudade 
Onde chorar já ficou bobo 
E não faz mais parte do jogo 
Te recordar só no alto dos meus sonhos
Minha vida ultrapassou você 
E meu sonho virou realidade
Quando o assunto é te esquecer.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A Nossa Rainha

Foi então que bati meus olhos
Ah, chorei, não aguentei
Foi uma mistura de dor
Uma vontade de te agarrar
Te fazer acordar 
Abrir teus olhos e berrar tua alma
"VOLTA, VOLTA PELO AMOR DE DEUS"
Vó, permaneça aqui, permaneça conosco
Tu descansa em paz 
E abençoa os que ficaram 
Que precisam de tua presença
Precisam de seu toque
De alguma forma, de qualquer forma
Sopre em nossos ouvidos
Nos faça sorrir
Vá mas não se esqueça daqui
Nos ampare quando for preciso 
E eu vi suas mãos 
As mãos que me seguraram 
Que me protegeram 
Vi suas mãos ali 
E tão paradas, inertes, pálidas 
E te toquei
Na ânsia de pedir teus olhos 
"ABRA-OS, POR FAVOR, ABRA-OS"
A Rainha chegou 

Se livrando da dor 
E sorrindo outra vez 
E meu coração grita 
Na saudade, na vontade, no alívio 
De saber que agora
Agora sim está em paz.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Só Por Hoje

E hoje eu me despeço de você
Hoje eu parto do ponto que estou 
Sem ao menos olhar pra trás 
Hoje eu fecho meus olhos pro passado
Tranco meu coração 
E levo comigo o amor mais lindo que tive
Levo comigo o sentimento mais puro 
Mas não olho pra trás 
Não, não olho pra trás 
Hoje eu me seguro em mim mesma
Me faço de apoio
E confio plenamente em mim 
Hoje eu deixo a chuva cair
Sinto arder cada ferida que ainda fica 
Mas na esperança de que vão cicatrizar
Hoje, hoje eu te amo mais que ontem 
Mas te desligo de mim 
Hoje eu quero o vento, a brisa
E deixo longe os sentimentos ruins 
Hoje, só por hoje eu não quero te amar
Não quero te olhar
Apenas te lembrar
E ter plena certeza de que amor eu te dei 
Carinho encontrei
Mas seguir com isso não ei 
Me perdi, sufoquei e não aguentei.

Quem Vem?

Vem aqui segurar minhas mãos
Me dizer que é passageira 
Essa dor que parece ficar 
Dor que parece predominar 
Vem me dizer 
Que lá fora há cores
Que existem novos amores 
Que nada assim vai ficar
Quero ouvir de você que nada predomina 
Que a vida fascina 
E meus sonhos voltarão
Quero esquecer a doença
Ser mais crença 
E ter mais perdão
Quero menos carência

Mais convivência
Ser mais coração
Esquecendo a violência
Aquela que bate em minha porta 
E grita sem medo 
Que minha vida já está morta
Ah, e eu tapo meus ouvidos
Fujo dos ruídos 
E faço valer 
Mesmo que superficialmente 
Tudo que passei, tudo que vivi
Faço disso lição 
Limpo meu coração 
E sigo, como nunca, como só, como eu.

Minh'alma

Cá estou tentando entender 
Falo, falo, falo 
Me pergunto, te pergunto
Mas você não ouve, não
Não ouve e foge
Me deixa pra trás e cá estou...
Cá estou novamente
Debato, discuto, derrubo 
Porta retratos, vasos e incensos 
Chão abaixo, sempre abaixo 
E eu vou caindo
Escorrego pelas paredes do meu quarto
Junto de mim as lágrimas
Amargas e quentes
Como brasa sem fim
Queimando meu rosto 

Rasgando meu coração
Como raiva que vai além 
Esmurro o vento e oro alto 
Berro o nome Dele e peço paz 
E escrevendo eu penso na voz
Tento gritar por entrelinhas 
Pra te mostrar o ódio
Em que se transformou o meu amor
Me machuco e não sinto dor
Teu soco em mim foi maior
Soco que atingiu minh'alma 
A tirou do corpo
E a fez ir pra longe 
Assim ficou aquela que se fez forte 
Longe da carne, do osso e das veias
Veias por onde o sangue passa
Passa na pressa de passar e ir
Apenas ir
Assim ficou aquela que se fez ferro
Vagando longe e procurando equilíbrio
Assim ficou aquela...
Assim nunca mais voltou
Pelo menos não
Não por enquanto
Se fez desencanto 

E sumiu 
Diante dos olhos de muitos
Diante dos olhos cegos de tantos
E assim ficou aos prantos 
A menina que foi e nunca mais voltou.

Conversación